Educação e formação na Europa: as desigualdades continuam a ser um desafio

A Comissão Europeia publicou hoje a sexta edição do “Monitor da Educação e da Formação”, o relatório anual que analisa a evolução dos sistemas de educação e formação da União Europeia através da análise de um amplo conjunto de dados.

Os resultados desta última edição revelam que os sistemas de ensino nacionais estão a tornar-se cada vez mais inclusivos e eficazes, contudo, também confirma que o nível de escolaridade atingido pelos estudantes depende, em grande medida, das suas origens socioeconómicas.

As habilitações literárias são um fator importante para o êxito em termos sociais. As pessoas que completaram apenas o ensino básico têm quase três vezes mais probabilidades de viver em situação de pobreza ou de exclusão social do que as pessoas com o ensino superior. Os dados mais recentes do Monitor também revelam que, em 2016, apenas 44% dos jovens dos 18 aos 24 anos que tinham concluído o terceiro ciclo do ensino básico estavam empregados. No conjunto da população entre os 15 e os 64 anos, a taxa de desemprego é igualmente muito mais elevada entre as pessoas que têm apenas o ensino básico do que entre os diplomados do ensino superior (16,6% contra 5,1%). Ao mesmo tempo, o estatuto socioeconómico determina o grau de sucesso dos estudantes: 33,8% dos estudantes dos meios socioeconómicos mais desfavorecidos têm fraco aproveitamento, em comparação com apenas 7,6% dos seus pares mais privilegiados.

Um dos objetivos da União Europeia para 2020 é reduzir para 15% a percentagem de estudantes de 15 anos de idade que obtêm resultados negativos em leitura, matemática e ciências de base. No entanto, no seu conjunto, a UE está até a afastar‑se deste objetivo, em particular nas ciências, onde o número de alunos com fraco aproveitamento aumentou de 16% em 2012 para 20,6% em 2015.

As pessoas nascidas fora da UE são particularmente vulneráveis, pois estão frequentemente expostas a vários riscos e desvantagens, como o facto de os seus pais terem poucas ou fracas qualificações, de não falarem a língua local em casa, de terem acesso a um menor número de recursos culturais e de sofrerem de isolamento e de fracas redes sociais no país de imigração. Os jovens oriundos da imigração apresentam um maior risco de maus resultados escolares e de abandono escolar precoce. Em 2016, 33,9% das pessoas entre os 30 e os 34 anos residentes na UE mas nascidos em países terceiros eram pouco qualificadas (concluíram o terceiro ciclo do ensino básico ou menos), em comparação com apenas 14,8% dos seus pares nascidos na UE.

Em toda a UE, o investimento na educação recuperou da crise financeira e até aumentou ligeiramente (1% em relação ao mesmo período do ano anterior em termos reais). Cerca de dois terços dos Estados-Membros registaram um aumento e quatro países aumentaram o investimento em mais de 5%.

Para mais informações

Monitor da Educação e da Formação de 2017

Página do Monitor

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